Ela morava ali na rua do Correio Velho, a parte mais antiga e mais pobre da cidade, numa rua escura ladeada de árvores e a janela de seu quarto dava para a calçada por onde passavam todos os que voltavam do centro da cidade. Podia ouvir os passos, as conversas e as brincadeiras dos transeuntes ao lado de sua parede.
Nunca fora bonita e agora com cinqüenta anos, solteirona, já nada mais esperava da vida a não ser conservar a boa visão, que o destino havia lhe preservado. Pelo menos aquilo: podia observar. E como gostava de observar… a janela de seu quarto possuía uma espécie de veneziana falha e por uma daquelas aberturas podia observar tudo o que ocorria desde uma esquina até a outra. Teve que colocar uma cortina pesada para que os que passavam pela calçada não olhassem dentro de seu quarto, assim com a mesma facilidade com que ela espiava a vida alheia.
Pra lá da esquina, perto do rio, sabia que existia a colônia dos pescadores e ela via, às vezes, altas horas da noite, os olhos pregados no buraco da veneziana, os casais voltando abraçados, se beijando , ardentes, antes de se despedirem nos portões das casas. E usava coisas e objetos para se masturbar enquanto espiava os casais em suas manifestações amorosas , às vezes protegidos pela semi escuridão embaixo das árvores, já bem tarde da noite.
E via coisas do arco da velha. Uma vez levantou-se da cama ao ouvir as conversas lá na calçada e percebeu a presença de três vultos próximo à pilha de tijolos que impedia a visão de quem vinha pela direita, mas não impedia a visão dela que estava a poucos metros do cenário. Correu buscar o binóculo e posicionou-o rente à fresta da veneziana e arrumou o foco para poder distinguir bem : eram dois homens e uma mulher, mas não uma mulher comum, normal. Parecia uma anãzinha, meio encurvada, corcunda… Um dos homens era negro e o outro um pouco mais baixo, branco. Ela, evidentemente, não conseguia ouvir o que diziam, mas isso nem era necessário para perceber logo do que se tratava.
Verificou que a anãzinha permanecia próxima do negro enquanto o branco se afastava, posicionando-se na esquina , com certeza para vigiar se não vinha ninguém pela calçada. Após o sinal dado, o negro abriu sua calças e a anãzinha aproximou-se mais e segurou o membralhão exposto, ainda mole e ela ficou um bom tempo movendo as mãos sobre ele . Não precisou abaixar um centímetro sequer, pois seu rosto ficava na mesma altura do caralho e ela enfiou-o dentro da boca e começou a mamá-lo . Tirava-o da boca, comentava algo olhando para o rosto do negro, depois voltava a mamá-lo lentamente. Escondida atrás da janela, a mulher observava a cena e sentia-se cada vez mais excitada, com a mão direita segurava o binóculo e com a esquerda massageava a boceta grande, alargada através de anos de masturbação, quando enfiava nela os mais diferentes objetos, os tamanhos variando de acordo com a necessidade do momento. Naquele dia tinha às mãos um gordo pepino, talvez tão grosso quanto o caralho que a anãzinha tentava enfiar na boca ao lado da pilha de tijolos.
Ela enterrou quase a totalidade do pepino dentro da boceta e deixou-o lá, apenas a ponta dele aparecendo fora dos lábios peludos da boceta e olhou novamente os dois lá fora: a anãzinha havia conseguido levantar o pintão negro e chupava a ponta dele sôfrega de tesão. A mulher não saberia dizer se o negro também gemia , mas viu, de repente a anãzinha dar um salto para trás ,punheteando-o com força e percebeu que o negro estava ejaculando quase em cima dela, uma grande quantidade de porra saltando sobre o chão da calçada. Quando ele terminou, ela deu uma última chupada no cabeção e ajudou-o a guardar a ferramenta dentro das calças.
O sujeito da esquina abandonou seu posto e voltou , a anãzinha perguntou-lhe algo e ele abanou a cabeça em sinal de não. Em seguida ela se afastou para os lados da colônia dos pescadores e os dois homens permaneceram por ali ainda, conversando e rindo muito. Depois se afastaram seguindo o mesmo percurso dela e a rua ficou deserta.
Imediatamente a mulher jogou de lado o binóculo, ajeitou rapidamente a camisola e abriu a porta da frente. Correu para o local onde estiveram os três e procurou no chão – encontrou as poças fartas de porra e lambuzou todo o pepino com a substância viscosa. Juntou com os dedos para não restar nada no chão. Voltou para seu quarto onde lambeu e chupou o pepino esporrado até secá-lo e mesmo seco, conseguiu enfiá-lo novamente na boceta, o corpo estendido na cama, as coxas abertas, o pepino entrando e saindo com velocidade crescente até que o orgasmo quase a desfaleceu.
Adormeceu ouvindo no rádio de cabeceira o velho sucesso dos Beatles:
Eleanor Rigby picks up the rice in the church
Where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window
Wearing a face that she keeps in a jar by the door
Who is it for?
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?
amigaço